Linhagem australiana deve ajudar o Angus a ampliar a sua presença no Centro-Oeste.

José Pires Weber, presidente da Angus. – Foto: Reprodução

Tentando ampliar sua presença em regiões de altas temperaturas, principalmente no Centro-Oeste, a Associação Brasileira de Angus divulgou que está trazendo o Ultra Black Angus para o Brasil. A linhagem é de origem australiana e tem 88% de concentração de sangue Angus e 16% de Brangus, o que faz com que os animais se adaptem melhor ao clima tropical.

De acordo com o presidente da Angus, José Pires Weber, trata-se de mais uma ferramenta de produção para os pecuaristas que trabalham com cruzamento industrial. “Com isso abrimos mais uma opção aos produtores que queriam colocar uma raça diferente em cima de fêmeas F1 (Angus x Nelore)”, declarou Weber, durante a BeefExpo, em São Paulo, SP.

Além da rusticidade, Weber cita como características do Ultra Black a pelagem mais curta e ossatura mais larga em função da presença de sangue Zebu.

A nova variedade chega ao Brasil em um momento em que as fêmeas Angus têm sido muito demandadas no Centro-Oeste. De acordo com o técnico de fomento da Angus, Matheus Pizoto, diversos pecuaristas têm procurado a associação para adquirir ventres, porém a oferta não tem sido suficiente. “As fêmeas nascidas de animais F1 são excelentes matrizes e têm gerado ótimos resultados em todo o País”, explica.

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Pizoto afirma que o principal benefício que a variedade deverá trazer é a diminuição da segregação no cruzamento. O técnico explica que normalmente nascem animais com diferentes conformações genéticas, que resultam em animais excelentes, bons, médios e ruins. Com o uso de touros Ultra Black, a concentração de sangue Angus será maior e isso reduzirá drasticamente o nascimento de animais tidos como “ruins”, sem o risco de heterose.

Da Oceania ao Brasil – A jornada da Angus para buscar o Ultra Black na Austrália surgiu em meados de 2016, após conversas com o geneticista australiano Don Nicol, que palestrou no Congresso Brasileiro da raça, em junho, em Porto Alegre, RS. “Ele nos apresentou e nós resolvemos apostar. Estamos extremamente animados. Diversos pecuaristas, principalmente de São Paulo, já se mostraram interessados em trabalhar com a variedade”, adiantou José Pìres Weber.

Os primeiros animais nasceram há cerca de 10 dias e agora a associação deve iniciar a emissão de registros. O processo é trabalhoso, principalmente pela exigência da comprovação de DNA dos pais do animal.

Para o futuro, Weber adianta que será realizado o lançamento oficial do Ultra Black no Brasil, ainda sem data e local definidos. Para garantir que os produtores que apostarem na variedade terão onde comercializar seus animais, a associação promoverá um leilão exclusivo a partir de 2020.

Fonte: Portal DBO