Máquina controlada à distância é tratada como conceito e será exposta na Agrishow, em Ribeirão Preto (SP)

Trator autônomo tem motor de 380 cavalos a diesel (Foto: Raphael Salomão/Ed. Globo)

A CNH Industrial apresentou nesta quarta-feira (26/4) o modelo de trator sem cabine e operado totalmente à distância da marca Case. Foi em um encontro com jornalistas na unidade da empresa, em Sorocaba (SP). Trazido pela primeira vez ao Brasil, o modelo será exposto na Agrishow, em Ribeirão Preto (SP) depois de ter passado pela Farm Progress Show, nos Estados Unidos, e pelo Salão Internacional de Máquinas Agrícolas (Sima), na França.

Tratado pela fabricante como um conceito, o trator com motor a diesel de 380 cavalos e design futurista é “pilotado” através de um tablet. Traz tecnologias já existentes em outros modelos da marca, como a telemetria, acrescidas de sensores, radar e câmeras, aplicativo de controle remoto e sistemas de comunicação com outras máquinas e implementos.

Até agora, essa integração entre equipamentos foi testada apenas com produtos da própria Case. No entanto, os executivos afirmaram que a intenção é adotar o conceito de plataforma aberta, já que máquinas de diferentes marcas se comunicam cada vez mais. A promessa é de um trator que pode trabalhar durante 24 horas se necessário, executando tarefas em todas as fases da produção.

“Esse trator não é apenas um exercício de estilo. Estamos mostrando uma máquina que é funcional. É como deve ser a agricultura do futuro”, garantiu Mirco Romagnoli, vice-presidente da Case IH, empresa do grupo CNH Insdustrial.

Na visão da companhia, tornar os equipamentos mais autônomos é um processo que envolve cinco etapas. A primeira, já superada, é a da direção, fazendo a máquina ir sozinha de um ponto a outro. A quinta seria a automatização total: um equipamento que se movimenta sozinho e gerencia o trabalho no campo sem uma supervisão externa.

O trator conceito da Case estaria, segundo os executivos, no quarto estágio: faz as tarefas automaticamente, mas ainda depende de um controlador humano monitorando operações pré-programadas, mesmo de longe. Caminhos percorridos e parâmetros utilizados podem ser supervisionados e ajustados de forma remota a qualquer momento.

“A autonomia total ainda está um pouco distante. Estamos trabalhando na autonomia com supervisão externa”, disse o diretor de Marketing da Case IH para a América Latina, Christian Gonzalez.

Os representantes da empresa informaram que o projeto do trator autônomo envolveu profissionais em várias partes do mundo, incluindo o Brasil. A participação brasileira enfatizou um eventual uso em plantações de cana-de-açúcar e em fazendas onde há frotas maiores de maquinário.

“Não há país onde as características desse trator possam ser tão bem aproveitadas quanto o Brasil. Há grandes produtores, grandes áreas e busca por eficiência. Acredito que pode chegar aqui antes de outras regiões”, afirmou Mirco Romagnoli.

Projeto-piloto
Não há previsão de lançamento comercial do trator autônomo. Neste ano, a empresa fará dois projetos-piloto nos Estados Unidos para testar a aceitação da tecnologia. Os sistemas de movimento e controle remoto serão adaptados em tratores que já estão no mercado norte-americano. As atividades serão na Califórnia, escolha nada aleatória já que o Estado é um importante polo de desenvolvimento tecnológico.

“Vamos definir os degraus de autonomia a se implantar nos produtos. Depois desses projetos, haverá uma segunda fase que ainda não está definida. São testes para validar a tecnologia que, em algum momento, serão feitos, inclusive, no Brasil”, explicou Christian Gonzalez, diretor de Marketing.

Executivos da Case apresentam detalhes do trator autônomo, na
unidade da empresa em Sorocaba, no interior paulista (Foto:
Raphael Salomão/Ed. Globo)

Um dos principais desafios para a implantação comercial é a falta de regulamentação em muitos mercados, disse Gonzalez. Isso é importante, principalmente, para garantir a segurança no uso dos equipamentos. No Brasil, acrescentou, a legislação é “praticamente zero”. Nos Estados Unidos, há avanços, que devem servir de padrão para outros países, acredita o executivo.

Outras questões a serem superadas são fazer o equipamento controlado à distância chegar também à agricultura de pequena escala e as consequências da adesão a esse tipo de tecnologia sobre o trabalho humano. “A existência de um trator como esse estimula essas discussões”, avaliou Gonzalez.

A Case não revelou quanto foi investido no projeto.Os representantes da empresa também evitaram estimar um preço para a máquina. Disseram apenas acreditar que não seria muito diferente do que se pratica atualmente. O trator autônomo foi montado sobre uma plataforma da Case em que as máquinas variam de R$ 650 mil a R$ 1 milhão, dependendo do modelo.

Mercado
Questionado sobre o mercado de máquinas agrícolas no Brasil, o vice-presidente da Case IH para a América Latina se disse otimista. Mirco Romagnoli lembrou que a expectativa do setor, de um modo geral, é de uma expansão de 15% a 20% em relação a 2016.

No primeiro trimestre deste ano, as vendas de máquinas agrícolas no mercado interno registraram um ritmo de crescimento bem maior que a expectativa. De acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), foram comercializadas de janeiro a março 9.752 unidades de tratores e colheitadeiras. No intervalo de janeiro a março de 2016, a indústria registrou 6.912 equipamentos vendidos. A alta é de 41% de um ano para outro.

“Depois de três anos de pouco volume de vendas, há a necessidade de mais máquinas. A disponibilidade de financiamento está boa e há tecnologias novas. O preço da soja está menor, mais ainda em níveis aceitáveis”, analisou.

Romagnoli revelou otimismo também em relação à Agrishow. O executivo acredita que será realizada em um momento importante do ano e espera que a feira confirme a expectativa positiva do setor de máquinas agrícolas.

Fonte/Créditos: Globo Rural